Mar de Vidro

Lyrics: João Lucas Soares Ferreira Music: João Lucas Soares Ferreira [Verso 1]
Pisei num mar de vidro tentando achar meu reflexo Todo passo que eu dou, geral pergunta se é honesto Mas respondo no silêncio, porque ele fala mais Do que a porra do barulho desses falsos morais
Cresci ouvindo histórias de quem nunca teve casa E entendi cedo que promessa vazia é fogo feito de palha Aquece por um tempo, depois vira só fumaça E quem confia demais, sucumbe à própria espada
Eu vi rei perder a coroa por não carregar o peso, Vi quem tinha tudo, perder tudo, por não conhecer o medo E eu? Sigo na minha, com a calma de quem aprendeu Que a vida não te cobra só o que te prometeu
As ruas têm olhos de vidro que vigiam cada passo E a inveja tem mãos leves que te puxam pelo braço Mas eu não corro de sombra — deixo ela me ensinar Que quem nasce no escuro aprende como iluminar
[Refrão]
Piso em vidro, sinto o corte, mas não paro de andar O Mundo me empurra pro fundo, mas eu aprendi a nadar Sem rumo, sem plano, só a voz e a minha visão Eu sou feito de estilhaço — e estilhaço é munição
[Verso 2]
A vida me deu porrada sem aviso e sem recibo E eu devolvi no verso sujo, e na rima que destilo Já vi noite virar dia enquanto a mente não descansa Mas aprendi que nesse jogo, quem hesita não avança
Eu carrego cicatrizes que só abrem quando chove E segredos que enterrei antes memo' de ficar jovem Nossa geração sangra sem expor seus cortes E disfarça dor com riso, oração e boa sorte
Vi rei perder coroa acreditando em qualquer um E que ninguém sobe limpo quando na vida é só mais um, A verdade corta fundo — mas ela te faz viver Já a Mentira é ardilosa — vai te fazer perecer
Eu não quero ser lenda — quero ser respeitado Com erros na minha conta e com golpes documentados, Se a estrutura cai, eu reergo com o que tiver na mão E se tentarem me calar.... Eu lanço mais um refrão
[Refrão]
Piso em vidro, sinto o corte, mas não paro de andar O Mundo me empurra pro fundo, mas eu aprendi a nadar Sem rumo, sem plano, só a voz e a minha visão Eu sou feito de estilhaço — e estilhaço é munição
[Ponte]
Se eu cair no meio do nada Eu renasço no meio de tudo Porque quem carrega verdade Não tem medo do próprio absurdo
[Outro]
E se o mar de vidro quebrar Eu faço ponte com os cacos Porque até o que me corta Me constrói por outros lados.