Waters (Pa Nu Poi Koraji)

Lyrics: Nuno Manuel Rocha dos Santos/Ângelo Vaz Costa Music: Nuno Manuel Rocha dos Santos/Ângelo Vaz Costa Não quero mais ouvir que é certo Viver nesta linha que deus escreveu torta/ Morrer à nascença, nascer com a sentença, de quem pensa, que a minha vida não importa/4 Meu corpo inda é mercadoria, que esta economia trafica, importa/ Gado, amontoado, no porão, do navio negreiro que a globalizado transporta/ Cadáver inchado, achado Afogado, devoluto nos banhos que a Europa tem à Porta/ Cadáver linchado, deixado, pendurado, os frutos estranhos que a América não corta/
São os frutos estranhos que lhes caem aos pés/ Peixes estranhos chegam com a mares/
São os frutos do ódio e Ignorância Que cria distância entre os povos do globo/
São os frutos da gula e ganância Que regula à distância os destino do globo/
marésDe bombas e balas/ Sob quem tomba ou faz malas pa fugir do roubo/ As marés do medo e ódio A cada episódio de racismo sem cobro/
Morto ou vivo se não sou lucrativo, não sou apelativo, motivo de troça/ Mudaram as tempos, mudaram as leis, de certa forma ainda estou nessa roça/ Querem que eu viva de forma passiva, em carne viva, ferida me coça/ Cidadania, pele não é branca, direita espanca, até que o sangue faça poça/ Corrente no corpo, tiro no corpo, chip no corpo, nossa carne não é nossa/ Número de seria, código de barras, identidade, nossa vida não é nossa/ Constrói preto, corre preto, morre preto, tua vida não importa/ Só a cor importa, ainda estás a porta/ Direitos humanos de negros derrubados pelo katrina/ Reduzir o povo negro a todo o custo é a doutrina/ Aforraram a nossa cor, Mediterrâneo tem novo odor/ Perfumado com a dor que alimenta o consumidor
Um omi branku mata um omi pretu só pamodi omi pretu era pretu me/
Minha Raça é julgada na praça, pelo ódio da massa e que a TV exorta/ Minha raça quer faça não faça, é carne pá caça, que se assa não importa/ Minha raça se não levanta uma taça/ e não dança devassa, então não importa/ Minha raça que se não lava, não passa/ não carrega massa, então não importa/
É so um corpo Que naufraga/ um corpo que se afoga/ nas vagas das vidas Que a Europa Revoga Nas balas da bofia que a América advoga/ nas celas em voga Onde a Libia Nos joga/ Um corpo que cai, saúde decai No menu do Mac, na chicken and fry/ Com o sal, a gordura, da american pie/ Sem 25 de Abril, nem 1º de Maio, Cativo da asai/ cativo do MAI/ Indígena no SEF/ Indígena no CNAI,
Meu corpo sufoca Meu corpo s’inunda/ No fumo dum químico Duma água imunda/ Levada pra rua onde a mágoa abunda/ mais rápido na rua a morte se difunda/ Em silêncio, invisível entre barafunda/ Em silêncio invisível meu corpo s’afunda/