Lyrics: Matheus Eduardo Rodrigues Pacheco
Music: Matheus Eduardo Rodrigues Pacheco
O barulho da chave é o primeiro erro.
Quatro dígitos e a porta destrancada.
O cheiro do seu terno mistura o desespero
com a pressa de quem volta de jornada.
Você tira a aliança, e a luz do abajur
bate no metal. Um gesto ensaiado.
Não olhe nos olhos, o contato é impuro.
Só o corpo tem direito de ser tocado.
Minha pele é o lenço que você usa e joga.
Não existe perfume. Só o aroma do risco.
E a cama range um medo que a gente afoga.
Eu sou um atalho num caminho de cascalho.
Você busca o escape. A pressa te consome.
E eu sou apenas o ponto final de um pronome.
O prazer é rápido. A espera é mais longa.
E a conta final sempre tem mais solidão que paz.
Você veste a farsa. Eu visto a minha tanga.
E o tempo que sobra são... Vinte Minutos de Silêncio.
Ele pega o casaco.
Um beijo na testa. Um "foi bom demais".
O espelho me devolve a figura gasta.
Você foi pro mundo, e eu voltei pros meus "quais".
O barulho do carro é a minha sentença.
Eu sou o objeto que não pode ter crença.
A porta se fecha. Fico com o aroma
do vazio que mora dentro de quem soma.
O prazer é rápido. A espera é mais longa.
E a conta final sempre tem mais solidão que paz.
Você veste a farsa. Eu visto a minha tanga.
E o tempo que sobra são... Vinte Minutos de Silêncio.
Só o cheiro do terno.
Só o tilintar da aliança na cômoda.