Lyrics: Mick Trovoada/Nuno Manuel Rocha dos Santos/Braima Galissa Music: Mick Trovoada/Nuno Manuel Rocha dos Santos/Braima Galissa Só pra avisar Que nada vai ficar retido na minha laringe/ Teu monopólio da verdade, morreu, quando eu, Matei o tu que eras eu/ pra nascerem novos mims/ Livre das gavetas, grilhetas e tretas/ que espalhas por ecrãs e boletins/ Eu vim com cometas/ por mais que tu metas barreiras, não me restringes/ por mais que cometas/ matanças ruins/ por mais que me metas por andanças ruins/ Contínuo aqui, Ogum abre os caminhos/
Pra que eu nao morar Nos teus confins Capinar os teus jardins Limpar os teus camarins Numa vida que fica a meio Na fronteira, plantação, ou na prisão onde me cinges/ Ou que nunca chega à meio Quando esse joelho me sufoca, E a tua bala me atinge/ tinges as ruas a vermelho Mas vou tingir a rua Com um mar de gente preta e machins/ finges A mim não enganas com um preto na TV, dois ou três manequins/ A mim não me enganas com cmtv/ Metida em todos os botequins/ finges bates-te bué, mas sabes que finges Bates-te todo, mas sabes que finges/ Eu não sou um meio Pra atingires os teus fins/ Já não sou do gueto, onde me puseste, eu vou voltar pra minha esfinge/
Já não sou um preto Ami é prétu, tu não me restringes/ A mim e xei di kor A mi é prétu, Tu já não me restringes/ Minha alma não é gueto é Kilombo Tu já não me restringes/ Viajo num 808 riba dum bombo Tu já não me restringes
As tuas ideias feitas, feitorias, Teus feitos, feitores e afins/ Tuas epopeias, seitas, reitorias Teus anjos e querubins/
Aos saberes e as histórias que tu me impinges/ Sofrimento das memórias que tu me infliges/ E que eu me inflijo A querer ser um quinto de ti, quando bastava ser eu por inteiro pra ser feliz/ Neste que corpo que disseste não ter alma há tanta luz, que ofusca a tua história eu Infrinjo o teu cinzento com tanta cor Que sentes serem motins, Cada prétu xei di kor sentes serem motins No mundo monocromático Onde és rei e senhor a incutir o teu latim ficar com o latifúndio/ E pôr-me a tirar capim/ Dar a fala pôs colonial quando ainda estás em África A cavar ouro a arrancar marfim/
Com essa conversa De Lisboa nova, tens um toque de Midas/ Tudo o que pegas que era meu Meu agora é nosso, daqui a pouco e teu, pelo meio roubas vidas/ Mas faz bom proveito Vai com a farinha Já tenho outro kus kus a subir em água fervida/ Tu e esses meus lideres que vivem de disparar ashtags com o nome dum preto morto/ mas eu quero é celebrar um preto em vida/ Em vez de hostilizar um preto em vida,/ Pa ser o dono da negritude na casa grande ver minha fala aplaudida/ No lugar da fala onde só fala a elite preta enquanto outra preta faz a lida/ E há sempre um branco que valida/ Ou há sempre um branco que invalida/ Eu quero é celebrar uma preto em vida/
Mano eu ando farto dessa imagem combalida/ De pretos a morrer no passeio/ Brancos a marchar no BLM tipo um passeio/ A achar que sabes aquilo que passei/ Quando não sabes explicar meu património na vitrine do teu museu/ mas eu sei
Este preto não vai levar a vida em branco, vou partir-te o rins/ Marcar um golo tirar a Camisa, mandar foder o estádio e ser expulso Mas não sem que antes erga o meu punho e enrijeça o meu pulso/ E fique de frente para o racismo que expressas a cada impulso/ Vou ser Marega/ Claudia Simões/ Giovanni/ Flavio/ kuku/ Mussu/ todos e todas mais Vou ser a força dos meus ancestrais A transbordar por todos os meus portais/ A unir todos os códigos postais E portanto hoje és tu que cais/ Hoje não vais ter mais pretos pra vender no cais/ Hoje não vais ter mais pretas para penetrar violentamente e depois voltar para o teu leito de facínoras com títulos senhoriais/ Hoje és tu que cais Derrubo as estátuas a esse monumental fracasso, A que chamas democracia, civilização, mas fez de mim mercadoria pra financiar o mercado de capitais/
Hoje dou um tiro no bicéfalo Morre um branco morre um preto E nasci eu: pretu – xei di kor