Futuro Ancestral

Lyrics: Lua Viana Music: Lua Viana Òsun e lóolá Ayaba imolè lóomi Vem me faz chorar, vem me faz sorrir Òsun e lóolá Ayaba imolè lóomi O corpo em comunhão com a água e o líquen. O corpo de barro vai animar a maquinação do mundo A potência transcendente que suplanta a mediocridade, vamos experimentar a vida Ìyá dò sìn máa gbè ìyá wa oro Vem me transfigurar, a metamorfose é nossa língua Ìyá dò sìn máa gbè ìyá wa oro Vem me transfigurar, a metamorfose é nossa língua O corpo de barro vai animar a maquinação do mundo A potência transcendente que suplanta a mediocridade, vamos experimentar a vida Vamos nos espraiar para outros organismos ao nosso redor Por confluências de narrativas, se há um futuro a ser vivido, ele é ancestral Nas narrativas de mundos antropocêntricas, Essa centralidade silencia as outras presenças. Empobrecer a existência é a vontade do capital A história da pátria, um cemitério continental. “Os rios, esses seres que sempre habitaram os mundos em diferentes formas, são quem me sugerem que, se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral, porque já estava aqui. Gosto de pensar que todos aqueles que somos capazes de invocar como devir são nossos companheiros de jornada, mesmo que imemoráveis, já que a passagem do tempo acaba se tornando um ruído do planeta. Mas estamos na Pacha Mama, que não tem fronteiras, então não importa se estamos acima ou abaixo do rio Grande; estamos em todos os lugares, pois em tudo estão os nossos ancestrais, os rios-montanhas, e compartilho com vocês a riqueza incontida que é viver esses presentes.” (Ailton Krenak, em “Futuro Ancestal”)