Lyrics: Franklin Jose De Oliveira/Danilo Rodrigues de Oliveira/Carlos Alberto Santos de Silva/Manoel Carlos de Souza Ribeiro
Music: Franklin Jose De Oliveira/Danilo Rodrigues de Oliveira/Carlos Alberto Santos de Silva/Manoel Carlos de Souza Ribeiro
Presta atenção, molecote, o tempo é curto. Só agrega teus erros se o aprendizado for maior. Que os confrontos de medo, mesmo que os morteiros venham do céu em noite estrelada, serenata das trincheiras é pânico em rajada. Se aqui tem balaclava, gravata e paletó, se no morro tem granada, tem caneta que mata sem dó. Foto norte, dó de preto, favelado triste. Mas tem só inalcançável pra mansões em Alphaville.
Vitrine pra tentação dos barracos com cheiro de esgoto. Planeja sequestrar e devolver só uma parte do corpo, louco. Carteira assinada é osso humano. Seu projétil de vida é explodir caixa eletrônico. Manipulados somos facilmente, sem estudo. Sem teto, sem comida, expectativa e futuro. Mães de luto choram entre pólvoras e flores. A guerra é sem compaixão pra inocente, amador e saudores.
Aprisionada pelas tragédias em excesso, a saudade traz a chave das fronteiras do céu pro inferno. Mundo moderno, traição já é comum. Sentimento descartável, desprezível, fui mais um. Vão jurar amor eterno se tem algo a oferecer. Aqui cê vale o que cê tem, talvez um dia vá entender. Pra morrer basta estar vivo em várias formas. Isso é possível, quantas vezes renasci após confrontos depressivos. Sem livro de autoajuda, só a tristeza profunda. Sem resposta pras perguntas, aceitação pra vida injusta.
As lutas que travo sempre são pros monstros da mente. Entendem, negligem sofrimento, julgam drama de um homem carente. Sinceramente, eu tô cansado de chorar, compor consentimento aos corações que não querem escutar. Balas que atravessam os barracos de madeirite. Faz parte do processo, extermínio a mando da elite. Outra vez é nóis de peito aberto nos frontes sem medo, extraindo a solidão, esperança do pesadelo. Me diz o que traz ódio pro seu coração na selva. Os anjos baleados nos confrontos da guerra.
Desde moleque acostumado com os tiros, os gritos de socorro. E no IML ter que reconhecer corpo aos quinze. Mais de vinte já tinha visto. Ipacova, eu sei, não é filho seu que se foda. Ninguém se importa, droga na porta de casa. Polícia vem e amassa cidadão de bem. Refém, não tem direito a nada. E quem cresceu no mangue, no morro, nos barracos sem esgoto, motivação, mil grau. Os crime cabuloso, vivar. Moleque zica dando bote na avenida, no enquadro. Que quebradinha, tortura da polícia e o pobre.
Favelado, fudido, vai ter fuzil. Se tem, porque alguém da elite distribuiu. Manda filha fazer intercâmbio na Suíça e desintoxicação por vício em cocaína. Aqui, boca tá a ONG que recupera drogados. Se o rap contém protesto, vira inimigo do Estado. Eu sigo relatando, resgatando, denunciando. Depoimento ocular não vem pra passar pano. A fome matando, mãe solo chorando. A rota atirando, Denar que forjando. E Jesus já tá voltando. Favela, arte da guerra, miséria e a bactéria.
Poeira no chão de terra, em meio ao cheiro da erva. No jardim da aflição, crianças brincam sem pai. No osso periculoso, vira inimigo da paz. Selfie no fundo do poço, sei lá que nó no pescoço. Segue castelando, planejando os assaltos nervosos. Tô cansado de rima, tragédia, lágrimas e funeral. Criança passa fome, negligência e hospital. Disparo da polícia, favela, bala perdida. Cracolândia, farinha, prostituta, deprimida. Sistema força o fracasso, anjos viram soldado. Pra cada bilionário, milhões executados.
Outra vez é nóis de peito aberto nos frontes sem medo, extraindo a solidão, esperança no pesadelo. Me diz o que traz ódio pro seu coração na selva. Os anjos baleados nos pontos da guerra. Outra vez é nóis de peito aberto nos frontes sem medo, extraindo a solidão, esperança no pesadelo. Me diz o que traz ódio pro seu coração na selva. Os anjos baleados nos pontos da guerra.
1, 2, 1, 2 pra versão psicológica, eu só tapa na cara. Depois reclama se os moleque esmaga. Capotando as viatura de fuzil para falar. Criando facções contra a raça policial. Quantos de nóis ainda tem que morrer em confrontos? No centro de São Paulo se nega a leis, é baleado e morto. Infelizmente é desse jeito que procede. A falta de atenção só gera monstros em busca do cash.
Clic-clac, engatilha esferográfica pra não ser mais um negro. Engatilhando as quadrada, enquanto nóis sonhamos com faculdade pra todos. A rua é escola, ensino médio é fabricar de monstro. Em São Vicente o cenário é dramático. Ruas de terra, enchente, barraco alagado. Quanto menos espera tem corpo boiando no rio do Samba e Atuba ou do canal da Avenida Brasil.
Pau, pau, os tiros sufocam a mente. Só me faz lembrar de quantos perderam seus entes. Pro crime ou numa abordagem errada, mal sucedida com vítima baleada. O tempo vai passando e a justiça continua cega. Político preso com direito a escolher a cela. PRF mata mais um asfixiado, infelizmente negro favelado.
Outra vez é nóis de peito aberto nos frontes sem medo, extraindo a solidão, esperança do pesadelo. Me diz o que traz ódio pro seu coração na selva. Os anjos baleados nos confrontos da guerra. Outra vez é nóis de peito aberto nos frontes sem medo, extraindo a solidão, esperança do pesadelo. Me diz o que traz ódio pro seu coração na selva. Os anjos baleados nos confrontos da guerra.