Lyrics: Railan Divino Conceição
Music: Railan Divino Conceição
O ponteiro do relógio anda tão devagar, são quase três,
A cabine inteira dorme, já não se ouve mais a voz.
Lá fora, a escuridão é um abraço, um talvez,
E a cidade lá embaixo se transforma, longe de nós.
Flutuamos em um limbo prateado e sereno,
A mais de dez mil pés de altura, onde não há veneno.
Eu encosto a cabeça no vidro gelado e vejo,
O mapa de luzes traçando um antigo desejo.
É uma Escala à Meia-Noite, uma pausa suspensa,
Estamos no meio do caminho, entre o que foi e será.
É o momento de silêncio, de pensar sem defesa,
Enquanto a vida lá embaixo se recusa a parar.
As horas param para mim, mas o mundo continua,
Nesta janela fria, sob a luz da lua.
Eu tento adivinhar qual rua é aquela que brilha mais,
Se é um hospital aberto ou um mercado que não fecha.
São milhões de histórias que eu deixei para trás,
Milhões de destinos onde a sorte se fecha.
Sinto o motor vibrar, uma canção de ninar,
Me lembrando que em breve, vou precisar lutar.
Mas agora, o tempo é meu, e não existe pressa,
Só a beleza calma desta imensa promessa.
É uma Escala à Meia-Noite, uma pausa suspensa,
Estamos no meio do caminho, entre o que foi e será.
É o momento de silêncio, de pensar sem defesa,
Enquanto a vida lá embaixo se recusa a parar.
As horas param para mim, mas o mundo continua,
Nesta janela fria, sob a luz da lua.
Logo, o aviso vai soar, a voz vai pedir o cinto.
Para um novo pouso, um novo mapa, um novo instinto.
Mas levarei esta paz, este momento quieto e profundo,
A solidão boa, a visão de cima do mundo.
Estou pronto para o dia.
Mas a noite me ensinou.
Aqui de cima, o que realmente importa sou eu.