Lyrics: Matheus Eduardo Rodrigues Pacheco
Music: Matheus Eduardo Rodrigues Pacheco
Oito da manhã.
O cheiro de álcool velho,
mistura a fumaça de um cigarro roubado.
Minha mão sua frio, suja de segredo.
Eles riem alto e contam
o corpo desvendado.
Finjo um sorriso.
Meu dente é cimento.
A piada é deles, mas o peso é só meu.
O meu "sim" é falso,
o meu "não" é lamento.
O meu "eu te quero" nunca apareceu.
Eu sou a curva torta.
A linha que não existe.
A chave que destranca
um silêncio proibido.
Sou a outra face da moeda que resiste.
No espelho de ninguém, eu sou o meu bandido.
Olho na camisa dele, no bolso,
não no olho.
O mapa do tesouro que a gente não pode ter.
Se o meu olhar entrega,
eu quebro o meu pescoço.
Eu sou uma mentira que precisa se esconder.
O mundo é uma régua,
eu sou o centímetro a menos.
O abraço dos outros
é um abismo entre nós.
Eu queria só gritar o que está doendo.
Mas a palavra é cara,
e o medo fala mais alto que a voz.
Palavra é tijolo.
Eu sou a areia molhada, a forma sem prumo.
Não é de amor que se morre,
mas de esconder o amor.
A matemática da vida
não aceita o meu número.
A porta está trancada. E eu nem tenho o costume de tocar.
Eu sou a curva torta.
A linha que não existe.
A chave que destranca
um silêncio proibido.
Sou a outra face da moeda que resiste.
No espelho de ninguém, eu sou o meu bandido.
...Silêncio... xiuuuuuuuuuu